A Beleza é metafísica na pintura de Lucia Glaz- 15 de setembro a 20 de outubro 2017               

Uma primeira chave de aproximação ao trabalho de Lucia Glaz é a absorção do silêncio e da beleza de suas telas.
No plano aparente, da superfície, há um silêncio que se induz, e se interioriza em nós.

Mesmo nas telas de maior vibração cromática, de cores quentes ou contrastes mais marcados, há esse silencioso
envolvimento. Um envolvimento que parte do universo cromático da pintura, e portanto emocional (é inevitável...),
para o âmago perceptivo de quem silencia, ou é induzido a silenciar, para mirar seu trabalho.
Pede-se a quietude, qualquer locução é abusiva. 

O primeiro olhar, ao primeiro silêncio, é o que capta um efeito apaziguador, de acomodação e repouso,
de conforto plástico nos universos cromáticos criados pela pintora.

Isso ocorre mesmo nas telas de orientação vertical, em que há mais movimento. Nelas, as nuances de profundidade,
as transições entre os campos de cor, ou no mínimo dentro deles, rivalizam com a orientação ascendente das linhas.
Mas é ainda uma rivalidade silenciosa.

São questões internas à pintura, e nelas se resolvem quietamente, sem ruído.
E o silêncio, que é a condição sine qua non para qualquer reflexão mais consequente, ocorre sobretudo na trégua
visual, que é por natureza (ainda que sem ela), própria às telas de orientação horizontal. 

Ali, qualquer sugestão de profundidade, indício ou sinalização de terceira dimensão apenas reforça a
paisagem de quietude, contemplação. Paisagem sem apelo ao exterior, puramente íntima, emocional, que conduz
à interiorização e, por conseguinte, à reflexão. Somos ocidentais, afinal.
Esse segundo olhar, o que leva à reflexão, é o que chega a inferir uma estrutura subjacente aqueles recortes de
beleza, sutilezas tonais e variações cromáticas.

São inferências mesmo, conclusões a posteriori, quando passamos a imaginar o procedimento pelo
qual Lucia chegou àquele resultado plástico aparentemente plácido, neutral. Uma abstração que,
numa primeira visão enganosa, a aproximaria das propostas até certo ponto assépticas e frias do
neo-plasticismo, levado a consequências radicais e reducionistas, de Mondrian, por exemplo.

Apenas na primeira aparência. Nesse segundo olhar, e na reflexão que desperta, chega-se ao ponto em
que o trabalho de Lucia Glaz se comunica com os desdobramentos daquela tradição neoplástica:
a apropriação de suas pesquisas estruturais, e seu aprofundamento pelo construtivismo e
pela arte metafísica. 

Nesse sentido mais profundo, a arte de Lucia Glaz  se aproxima do que pode ser denominado como 
construtivismo cromático, e em suas intersecções com a pintura metafísica.
Seu trabalho se comunica então com 
o sentido propriamente espiritual da arte de nomes como
Torres-García e Alfredo Volpi, e as silenciosas cogitações dos 
pintores metafísicos.
Subjacente aos planos de beleza cromática, está a pesquisa estrutural, revelada pelo segundo olhar em suas telas,
mesmo para quem nunca tenha visto seus desenhos – esses sim, puramente construtivistas.

A complexa questão da estrutura e de sua busca nas artes plásticas, e sua ligação com o sentido metafísico da arte,
está na própria definição do que seja “metafísica”: é a estrutura da realidade universal, que desce desde o primeiro
princípio, infinito e eterno, até seus inumeráveis reflexos no mundo manifestado, através de uma série de níveis ou
planos de existência.

Não por acaso os trabalhos de Lucia Glaz se desenvolvem em séries. Não por acaso os que a conhecem destacam a
ligação entre sua vocação e fazer artísticos e seu pendor espiritualizado. Um fazer também silencioso, sem alarde,
sem disputa por reconhecimento ou mercado.
Retraimento e silêncio que são o próprio sentido espiritual de sua trajetória artística. Afinal, a submissão da
subjetividade humana à estrutura acima mencionada está subentendida em todas as tradições como condição para a
realização espiritual, e a arte é essa realização, no seu caso. 






Curadoria / Curator - Pedro Mastrobuono
Abertura: 14 de setembro de 2017, ás 19h30                  
Exposição: 15 de setembro a 20 de outubro 2017.
Rua Oscar Freire, nº 540, LJ 05 -  Jardins - São Paulo - SP -  Tels (11) 3082-1927 | (11) 3088-2843




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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 40 x 40 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 50 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 120 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 40 x 30 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 10 x 165 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 10 x 180 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 10 x 100 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 50 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 60 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 50 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2016, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 120 x 120 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2015, 100 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 30 x 30 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2016, 80 x 80 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 100 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 120 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 60 x 100 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2016, 80 x 70 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 40 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 50 x 40 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 40 x 40 cm.
 
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Acrílica sobre tela
2017, 80 x 80 cm.
 

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