artistas

Abraham Palatnik
Alfredo Volpi
Antonio Maluf
Arnaldo Ferrari
Décio Vieira
Dionísio Del Santo
Geraldo de Barros
Hermelindo Fiaminghi
Hércules Barsotti
Ivan Serpa
Joaquim Tenreiro
João José Costa
Judith Lauand
Lothar Charoux
Luiz Sacilotto
Maurício Nogueira Lima
Rubem Ludolf
Rubem Valentim
Sanson Flexor
Ubi Bava
 
Ruptura, Frente e Ressonâncias
Exposição coletiva de 50 obras de 20 artistas dos grupos Ruptura, Frente e Ressonâncias, produzidas entre os anos 1950 e 2008 


visitação

Abertura: 17 de abril, quinta-feira, às 20h00
Período expositivo: de 18 de abril a 30 de maio de 2008
Horário: segunda a sexta, das 10 às 19h00
Entrada gratuita
a exposição

Mostra histórica de obras inéditas e raras

A Galeria Berenice Arvani exibe a exposição Ruptura, Frente e Ressonâncias, sob organização de Berenice Arvani e curadoria do jornalista Celso Fioravante, a partir de 17 de abril de 2008. A coletiva conta com cerca de 50 obras, entre desenhos, guaches, aquarelas, pinturas, objetos, colagens, tapeçarias e fotografias produzidas por uma seleção de artistas atuantes nos grupos concretistas Ruptura e Frente, presentes respectivamente nas cenas das artes visuais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir dos anos 1950. A mostra, acompanhada de folder, inclui ainda artistas contemporâneos aos dois grupos e que desenvolveram pesquisas plásticas com perspectivas semelhantes aos seus colegas, embora sem filiação ao Ruptura e ao Frente. A exibição abrange a produção de obras realizadas de 1953 a 2008.

A curadoria garimpou trabalhos de Alfredo Volpi, Abraham Palatnik, Aluisio Carvão, Antonio Maluf, Arnaldo Ferrari, Décio Vieira, Dionísio Del Santo, Geraldo de Barros, Hércules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Ivan Serpa, Joaquim Tenreiro, João José Costa, Judith Lauand, Lothar Charoux, Luis Sacilotto, Maurício Nogueira Lima, Rubem Ludolf, Rubem Valentim e Ubi Bava.

A exposição tem caráter de resgate histórico, uma das diretrizes da galeria da marchand Berenice Arvani, incentivadora de mostras individuais e coletivas nesse sentido há vários anos. “A idéia da exibição é apresentar a produção dos dois grupos de artistas, o paulista Ruptura e o carioca Frente não se detendo apenas no momento em que se formaram, mas o que realizaram nos anos seguintes, o que explica a inclusão de trabalhos feitos até em 2008”, diz a galerista.

O sentido histórico da exibição é sustentado também em duas condutas curatoriais: mostrar ao público geral e especializado obras inéditas, outras pouco vistas e as que foram criteriosamente restauradas para estarem novamente no circuito expositivo. Ruptura, Frente e Ressonâncias antecipa a participação da Galeria Berenice Arvani na Feira Internacional SP Arte, prevista para ocorrer no Pavilhão da Bienal de 24 a 27 de abril. “A exposição propicia ao público da feira antecipar uma ampla visão sobre a importância e a reflexão que ainda podem ser feitas sobre os dois grupos concretistas”, diz Celso Fioravante.

Outro aspecto da exposição é avivar o interesse do público de São Paulo para o valor e o sentido de protagonista na história da arte brasileira desempenhado pelo grupo carioca Frente. A mostra reforça igualmente a figura de Ivan Serpa a qual desempenhou um papel aglutinador, democrático e generoso para o grupo do Rio de Janeiro.

Sem preocupação cronológica, a exibição se apresenta ao público como se estivesse nas paredes da casa de um colecionador apaixonado pela arte concreta brasileira. A estética construtivista é o fio condutor das obras selecionadas. Por outro lado, a exposição leva no nome o substantivo ressonâncias, o que procura chamar a atenção para os artistas que não estiveram filiados aos grupos do Rio e de São Paulo, mas que desenvolveram pesquisas semelhantes, entre eles Rubem Valentim, Ubi Bava, Arnaldo Ferrari, Dionísio Del Santo e outros.

Contexto histórico

Os grupos Ruptura e Frente, surgidos respectivamente nos anos de 1952 e de 1954, aclimataram-se em um contexto de internacionalização e desenvolvimentismo no país. É o período do projeto de construção de Brasília, do início da indústria automotiva, do governo de Juscelino Kubitschek e da criação do Museu de Arte de São Paulo, o Masp (1947), do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1948), do Museu de Arte Moderna de São Paulo (1948) e da Bienal de São Paulo (1951).

Em 1948, Ivan Serpa, Almir Mavignier e Abraham Palatnik criam o primeiro núcleo de artistas abstratos sob influência do crítico Mário Pedrosa. O interesse em abandonar os procedimentos figurativos atrai vários artistas como Luis Sacilotto, Lothar Charoux e Waldemar Cordeiro. Também em São Paulo, Samson Flexor passa a dar aulas de arte abstrata e que desencadeia outro segmento, a do abstracionismo lírico.

O movimento de transformação dos jovens artistas é impulsionado com diversas exposições e iniciativas de reflexão. As mostras de Alexander Calder (1948) e Max Bill (1950), no Masp, a exposição “Do Figurativismo ao Abstracionismo” (1949), no MAM-SP, a criação de um laboratório de fotografia no Masp, em 1949, por Geraldo de Barros, e as críticas escritas por Waldermar Cordeiro no jornal “Folha da Manhã” incitaram mais tarde o aparecimento dos dois grupos de artistas concretos.

Em 1951 dois importantes artistas, Aluisio Carvão e Ivan Serpa (presentes na exposição da Galeria Berenice Arvani) aderem à abstração. A consagração da tendência abstrato-geométrica acontece na primeira edição da Bienal de São Paulo, em 1951. Serpa é um dos premiados pela grande exposição e ganha maior notoriedade.

Em dezembro de 1952, Waldemar Cordeiro, Luis Sacilotto, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, Kazmer Féjer, Anatol Wladyslaw e Leopoldo Haar assinam o Manifesto Ruptura, acompanhado de exposição no MAM-SP. No ano seguinte, Maurício Nogueira Lima entra para o grupo paulistano. Judith Lauand adere igualmente ao Ruptura.

No ano de 1954 é realizada a primeira exposição do grupo Frente, apresentada pelo crítico Ferreira Gullar. Participam Aluisio Carvão, Décio Vieira, Ivan Serpa, João José Costa, Lygia Clark, Lygia Pape, Carlos do Val e Vicente Ibberson. A segunda exposição ocorre em 1955 no MAM-RJ. Nesse mesmo ano, o grupo de São Paulo recebe a adesão de Hermelindo Fiaminghi. Em 1956, os artistas cariocas realizam mais duas exposições e o grupo dá sinais de dissolução.

A “I Exposição Nacional de Arte Concreta”, organizada pelo grupo Ruptura primeiro no MAM-SP (1956) e depois no MAM-RJ (1957), reúne os artistas paulistanos e cariocas. Em curto espaço de tempo os artistas participantes tomam rumos diferentes, o neoconcretismo surge e, em 1957, Ferreira Gullar declara rompimento com os poetas concretos de São Paulo. Entre as polêmicas surgidas no meio da cisão estava a de que o grupo de São Paulo era mais racionalista e voltada para as escolas construtivistas da Europa. Nas décadas seguintes vários artistas dão ressonância à estética que marcou a história da arte brasileira e que se mantém viva até hoje.

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