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João José Costa
 
João José Costa
João José e suas várias vidas 


visitação

Abertura: 21 de agosto, quinta-feira, às 20h00
Período expositivo: de 22 de agosto a 19 de setembro de 2008
Horário: segunda a sexta, das 10 às 19h00
Entrada gratuita
a exposição

O artista plástico e arquiteto João José Costa participou de todas
as exposições do carioca Grupo Frente, iniciativa liderada por
Ivan Serpa e principal responsável pela disseminação da arte
concreta e neoconcreta no Rio de Janeiro nos anos 50. Também
teve obras na celebrada 1ª Exposição Nacional de Arte Abstrata,
que aconteceu no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ) em 1953
e foi inaugurada pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Esteve
ainda na histórica Exposição Nacional de Arte Concreta, em
1956, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e no MAM-RJ. Foi
também selecionado para três edições da Bienal Internacional
de São Paulo, em 1955, 1961 e 1967. Na primeira delas esteve
presente nas seções de Pintura e de Arquitetura, com duas telas
e um projeto de um centro cívico.

A esse promissor início de carreira artística não faltou o aval da
crítica especializada, que não poupou elogios a João José.

No texto do catálogo da mostra do Grupo Frente no MAM-RJ, em
1955, Mário Pedrosa escreveu: “E o que dizer de João José, o mais
rigoroso concretista do grupo? Que trabalhando com a progressão
e os ritmos alternados, num elementarismo de formas deliberado,
nos apresenta superfícies que vivem e se expandem. É uma vocação
artística em pleno desenvolvimento”. Um ano antes, na edição de
agosto de 1954 da revista “Forma”, Anna Letycia Quadros escreveu:
“Os seus trabalhos –de cunho muito pessoal– têm senso matemático,
mesclado, porém, de grande lirismo”. Em 1956, o poeta
pernambucano Manuel Bandeira se alegrou ao ver uma obra de João
José: “Quero citar como a mais bonita entre as mais características
dessa arte valiosa, apenas pelo achado plástico, a ‘Idéia Instável’, de
João José S. Costa. Essa, como outras composições abstracionistas ou
concretistas, me agrada pela impressão de serenidade ou de alegria
que me comunica”, escreveu em sua coluna no “Jornal do Brasil”. No
ano seguinte, no mesmo “Jornal do Brasil”, o crítico Ferreira Gullar, o
principal teórico do movimento neoconcreto carioca, definiu: “João
José S. Costa, jovem pintor e arquiteto carioca, é um dos elementos
mais valiosos do grupo de artistas concretos brasileiros”.

Curiosamente, apesar do constante apoio da crítica, em 55 anos
de carreira, João José Costa realizou apenas três mostras individuais:
na Galeria de Arte BCN (1969), na Galeria Saramenha (1986)
e no Estúdio Guanabara (2004). Mais curioso ainda é o fato de
João José nunca ter realizado uma exposição individual em São
Paulo, grave lacuna que agora está sendo preenchida com esta
exposição antológica na Galeria Berenice Arvani.

O porquê dessa ausência de quase uma vida do principal centro
difusor de arte do Brasil tem suas explicações.

Uma delas foi econômica mesmo. A necessidade de se dedicar
integralmente à sua profissão de arquiteto para manter a si e à
sua família fez com que a carreira de artista ficasse limitada ao
exercício diário em sua casa e atelier. João José já trabalhou em
vários escritórios de arquitetura, como o do ex-prefeito carioca
Luis Paulo Conde, onde permaneceu por mais de 15 anos. Hoje
trabalha como arquiteto no SESC-RJ.

Uma outra razão, bem mais grave, foi física. Em 1933, aos dois
anos de idade, ainda vivendo em sua cidade natal Parnaíba (PI),
João José foi diagnosticado com poliomielite, o que motivou sua
família a se mudar para o Rio de Janeiro à procura de tratamento
médico adequado. A doença lhe deixou seqüelas permanentes,
que certamente dificultaram um contato efetivo com São Paulo,
mas que não o impediram de participar ativamente do movimento
concretista nos anos 50, flertar com outras linguagens
plásticas a partir dos anos 60 e manter-se fiel à produção artística
até hoje. “Desde criança eu sempre gostei de desenhar. Devido à
minha dificuldade de me locomover o desenho era uma forma
de escape”, disse em entrevista.

Mas apesar das dificuldades físicas e financeiras (e de sua incorrigível
modéstia), João José vem construindo uma carreira
vigorosa, cujo valor já foi percebido por grandes colecionadores,
como Gilberto Chateaubriand, Adolpho Leirner, João Sattamini
e o casal Hecilda e Sergio Fadel, e que agora está sendo devidamente
apresentada ao público de São Paulo.


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