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Alberto Texeira
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De 27 de Outubro a a 27 de Novembro
segunda a sexta das 10:00 as 19:00 horas
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Alberto Teixeira - Pinto, logo existo
Alberto Dias d’Almeida Teixeira descobriu a pintura ainda menino. Aos 11 anos de idade, um engano lhe proporcionou uma grande descoberta. Pensando se tratar de um estojo de tinta a óleo, comprou um estojo de aquarela. Essa técnica o encantou e rapidamente se tornou uma paixão, que o acompanha até hoje.
Pintou com regularidade durante toda a sua adolescência. Paisagens de São João do Estoril, a pequena e praiana localidade onde nasceu em 1925, naturezas-mortas e retratos de amigos e familiares fizeram parte de seu dia-a-dia, até que, em 1947, ao deixar o serviço militar no Algarve, decidiu encarar a pintura com profissionalismo e inscreveu-se em um curso livre de pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes de Lisboa, onde permaneceu até 1950.
Neste período, fez sua estréia no circuito artístico, ao participar do 15° Salão do Estoril, em 1949, e de uma mostra coletiva na Sociedade Nacional de Belas Artes, no ano seguinte.
Em 1950, a busca por um sonho transformou novamente a sua vida. Depois de uma longa viagem pela Espanha e França, onde se encontro com as obras dos grandes mestres impressionistas, fauvistas e expressionistas que tanto o influenciavam, decidiu se transferir para o Brasil.
No Brasil, Alberto trabalhou inicialmente na área de comércio, como escriturário e, posteriormente, como vendedor daqueles pigmentos que compraria em seguida, já transformados em tinta a óleo.
Sua pintura continuava figurativa, mas com muita liberdade interpretativa. Seu espírito inquieto o lançava na busca de novos caminhos. “Cada vez se tornava mais claro para mim que a pintura é bem mais do que representar com fidelidade o que vemos na natureza, que a linguagem das cores, com seus sortilégios, é tão criadora como a própria natureza e verdadeiramente a honra quando a transfigura, emprestando-lhe uma dimensão poética que mais intensamente a revela e que nasce de diversas e singulares maneiras de apreendê-la e vivenciá-la”, contou em seu livro.
Em São Paulo, Alberto Teixeira rapidamente fez vários amigos no circuito artístico local. Os primeiros foram os pintores Dario Mecatti e sua esposa Mariazinha. Logo depois, conheceu o romeno Samson Flexor, que o convidou a freqüentar as aulas do Atelier Abstração, um grupo pioneiro no estudo da arte abstrata no Brasil e que funcionou inicialmente em sua própria casa, na alameda Santos, e depois na rua Gaspar Lourenço, na Vila Mariana.
Influenciado por Flexor, Alberto Teixeira rapidamente aderiu à abstração geométrica, linguagem que dominou sua produção até 1956, período em que participou de quatro exposições coletivas do grupo, no Instituto dos Arquitetos do Brasil (1953), no Museu de Arte Moderna de São Paulo (1954), na Universidade Presbiteriana Mackenzie (1954) e novamente no MAM-SP (1956). Sua adesão à abstração geométrica deu-lhe ainda respaldo para sua participação em duas edições da Bienal Internacional de São Paulo, em 1953 (2ª edição) e 1955 (3ª). Participaria de outras três edições, em 1959 (5ª), 1963 (7ª) e 1965 (8ª).
A participação no Atelier Abstração serviu-lhe ainda para ampliar de maneira significativa o círculo de convivência do jovem artista imigrante, pois ali conheceu diversos artistas e futuros amigos, como Leopoldo Raimo, Jacques Douchez, Leyla Perrone Moisés, Norberto Nicola e outros. Foi no Atelier Abstração que também conheceu Sérgio Milliet, o primeiro crítico a escrever sobre seu trabalho.
Em 1956, a insatisfação voltou a perturbar Teixeira, que decidiu voltar à Europa, onde permaneceu até 1958, principalmente em Paris. No velho continente, reencontrou os velhos amigos Van Gogh e Rembrandt e conheceu a produção de Appel, Sugai e Tápies, três artistas que se tornariam suas referências. Decidiu então aderir ao abstracionismo lírico informal, dando início ao terceiro e mais importante período de sua carreira.
“Estava absolutamente conquistado por essa forma livre e autônoma de fazer pintura, por essa possibilidade de dar expressão predominantemente a coisas do sentimento e da imaginação, mas sentia-me tolhido pela excessiva racionalidade que o geometrismo impunha, e desejei uma pintura assim pura, assim livre e autônoma, mas onde houvesse mais lugar para a emoção, para o lirismo e para a expressão psicológica”, escreveu em seu livro.
O retorno ao Brasil foi marcadamente importante para o desenvolvimento da carreira artística de Alberto Teixeira. Mal chegara ao Brasil, em 1958, foi indicado por Leopoldo Raimo para participar de uma exposição na recém-inaugurada Galeria de Artes das Folhas, mas que já se tornara um ponto de encontro da comunidade artística local. Ali apresentou 16 pinturas realizadas na Europa. O texto de apresentação da mostra foi assinado por Sergio Milliet, o primeiro crítico a escrever sobre seu trabalho. No ano seguinte, realizou sua primeira mostra individual, na Galeria Antigonovo, na rua Basílio da Gama, no centro da cidade. Também participou da 5ª edição da Bienal de São Paulo. Nas duas mostras apresentou suas pinturas expressionistas lírico-abstratas, tendência que já se consolidara no exterior e também no Brasil e que lhe garantiu dois importantes reconhecimentos públicos: o 2° Prêmio Leirner de Pintura (1961), concedido depois de sua terceira mostra na Galeria de Arte das Folhas, e o 1° Prêmio Esso Nacional de Pintura (1965), que lhe rendeu exposição e viagem aos EUA.
O final dos anos 50 e o início dos anos 60 foram intensos e consagratórios para o artista. Foram momentos de descobertas e também de reencontros e de novos amigos. Reencontrou o mestre Samson Flexor, também já adepto de um tipo de abstracionismo lírico, e conheceu artistas que admiraria e fariam parte de sua vida a partir de então, como Manabu Mabe, Gisela Eichbaum, Yolanda Mohaly, Alice Brill, Maria Leontina, Wega Nery, Nelson e Giselda Leirner.
O abstracionismo lírico informal deu a Alberto Teixeira a liberdade que ele sempre buscara na produção artística. Foi como um turbilhão de idéias, cores e formas a invadir o pensamento desse incansável desbravador dos mares revoltos da pintura. O mesmo mar que habitava com freqüência as paisagens de sua infância e adolescência retornava como uma maré, com seus fluxos constantes de volumes, suas ondas de cores e suas imprevisíveis arrebentações.
Além de sua atividade como pintor, em 1960 passou a dedicar-se à ilustração de livros e, em 1968, ao ensino artístico, tendo trabalhado para várias editoras paulistanas e ministrado cursos em São Paulo, Araras e, principalmente, Campinas.
Alberto Teixeira mudou-se definitivamente para a cidade em 1973 e ali participou, junto com o também artista Bernardo Caro, da criação do curso de educação artística da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Campinas).
Mas a partir de 1977, o canto das sereias da produção artística voltou a encantar Alberto Teixeira e chamou-o para novos envolvimentos com os mares revoltos da pintura. O artista cedeu ao apelo das cores e dos pincéis, reduziu suas atividades com o ensino e passou a se dedicar com mais intensidade à pintura.
Longe do burburinho de São Paulo (sua última mostra de destaque na capital foi no MAM-SP, em 1989), Alberto Teixeira tornou-se figura destacada no circuito de arte de Campinas e região, onde realizou diversas mostras individuais e coletivas, ao lado de importantes artistas, como Raul Porto, Thomaz Perina, Francisco Biojone, Mário Bueno, Maria Helena Motta Paes e outros.
Agora, 60 anos depois de sua estréia nas artes, ainda em Portugal, e 50 anos depois de sua primeira mostra individual, já em São Paulo, Alberto Teixeira volta à cidade com uma antologia de sua produção entre aos anos 50 e 2000. Volta para enfrentar novamente, aos 84 anos de idade, os desafios da arte e da vida, que, como ele mesmo um dia descreveu, são “um mar de surpresas e de perigos”.
Celso Fioravante
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