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Umberto Nigi Umberto Nigi
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visitação
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De 26 de Fevereio a Março 19
segunda a sexta das 10:00 as 19:00 horas
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a exposição
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Umberto Nigi é um artista italiano que vem produzindo uma poética pessoal de grande força lírica, de refinada expressão plástica e com amplo domínio das técnicas da pintura. Sua produção tem sido notável e fértil. Depois de uma década vivendo no Brasil, Umberto Nigi é hoje um artista reconhecido e apreciado pela crítica e pelo público.
A pintura tem sido seu ofício desde a juventude na Toscana. Nos primeiros anos de sua formação artística, o vigor da extraordinária herança cultural da Itália e da pintura do novecento italiano foram as bases para a construção da sua linguagem de pintor.
Nos primórdios de sua carreira artística foi considerado pela crítica italiana como um pintor de expressão primitivista, classificação que no meu entender é insuficiente para abranger a vitalidade e as inquietações de sua obra inicial. As deformações que caracterizavam sua representação figurativa das pessoas, dos objetos e da natureza, eram intencionais, elaboradas, possuíam vínculos com a figuração da modernidade, e não as vejo primitivas ou como resultado de um comportamento e de uma sensibilidade naif.
Para mim, o jovem artista praticava uma pintura telúrica de forte apelo expressionista, mas também de um realismo social robusto, para sublinhar e dignificar situações da vida cotidiana. Os temas estavam quase sempre vinculados ao homem do campo, da aldeia, na intensa relação do homem com a terra na formação da sua identidade. Percebe-se nesses primeiros trabalhos o seu engajamento e a sua preocupação com as raízes regionais da sociedade italiana. Vale lembrar que, naqueles anos, o país vivia uma enorme transformação social para superar as dificuldades do pós-guerra e construir a Itália moderna que conhecemos.
Na sua biografia Umberto Nigi destacou o enorme impacto cultural que recebeu ao visitar em Turim a magnífica coleção do Museu Egípcio. Essa experiência ampliou suas inquietações e levou-o, anos mais tarde (1987), a viver um longo período de nove anos no Egito, seduzido pela arte emblemática que escapava da escatologia de Cromos e procurava adentrar nas esferas da eternidade. A partir de então, sua pintura se desenvolveu, adquiriu novos meios de expressão e percorreu novos caminhos, até chegar a uma abstração de caráter lírico expressionista, se é que podemos classificar sua linguagem.
É importante ressaltar que antes da viagem ao Egito, em uma visita a Nova York, Nigi ficou impressionado com as pinturas abstratas de Jackson Pollock, Willem De Kooning e, principalmente, com as telas de Mark Rothko. Ainda hoje, percebemos o enorme impacto causado por Rothko na sua sensibilidade, no seu fazer artístico. A pintura de Umberto Nigi mantém, em muitos aspectos, um estreito parentesco com esse extraordinário artista russo, que contribuiu à renovação da pintura nos Estados Unidos.
Pintor andarilho e viajante, Nigi demonstrou enorme interesse pelas inesgotáveis e surpreendentes maneiras de interpretação e representação da imagem praticadas por outras culturas fora da Europa. Ávido por conhecer e experimentar novas experiências sensoriais, isto é, atraído pelas mais diversas possibilidades de ver e interpretar o mundo, o artista sentiu necessidade de contemplar outras paisagens, de estabelecer novos contatos e de ampliar seus horizontes, percorreu vários países do Mediterrâneo e do Oriente Médio – Grécia, Chipre, Turquia, Sudão, Líbia, Iraque, Jordânia, Emirados Árabes, mas sem perder contato com o mundo cultural europeu e com artistas de vanguarda, como Piero Dorazio, do qual foi amigo.
Com essas peregrinações constantes, sua visão ampliou-se de modo extraordinário, foram experiências intensamente vivenciadas, Umberto Nigi não se contentava de conhecer o mundo apenas através das imagens e livros, sentia necessidade de uma relação carnal com as diferentes culturas.
O fato de ter vivido em regiões de geografias tão desiguais e de ter experimentado um mergulho em culturas tão díspares deu ao artista um rico material para construir sua poética, aprofundou sua sensibilidade e enriqueceu sua vida intelectual e emocional. Foi um longo período de viagens constantes, mas também de permanências prolongadas, que permitiram ao artista interagir com as diferenças de lugares, etnias, costumes. Conheceu pessoas influentes nessas sociedades e estabeleceu relações que foram importantes para o aprofundamento da sua compreensão daquelas realidades. No Egito conviveu com o grande escritor Nagib Mahfouz, prêmio Nobel de literatura em 1988, profundo conhecedor da alma egípcia.
Vivências e andanças que permaneceram, incorporadas nas suas obras, matéria prima do desenvolvimento de sua linguagem visual. A elaborada manifestação cromática em suas telas, deve-se seguramente às diferentes luminosidades vividas pelo artista nas suas viagens pelo Mediterrâneo, Oriente Médio e Brasil.
Suas pinturas atuais desafiam o nosso olhar, provocam e incentivam a nossa percepção. São instigantes, propiciam renovadas leituras cada vez que nos defrontamos com elas e os elementos dinâmicos que formam conjuntos de luz e cor, e percursos dinâmicos que as relações das formas, das linhas e dos planos estruturam.
Na pintura de Nigi, cor e forma atuam como sons que ora se destacam pelas suas melodias, pelos timbres diferenciados, ora se fundem em massas sonoras, como num concerto de música de câmara. Essa dinâmica de impulsos variáveis ou constantes de luz, cor, forma e matéria fascina, movimento permanente que mantém sua pintura sempre viva, bailarina, sedutora; mas também podemos encontrar nela uma sensação de repouso. Volto ao exemplo musical: quando ouvimos um concerto sinfônico, mesmo de grande força sonora e riqueza instrumental, como as sinfonias de Gustav Mahler, podemos manter nossa alma.
Fábio Magalhães
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