Manuel Alvarez - Proporção Áurea - 25 de novembro de 2011 a 06 de janeiro de 2012

Entrar no atelier de Manuel Alvarez provoca uma sensação muito rara de se encontrar nesses tempos. CALMA.

Uma das definições desta palavra é “suspensão ou redução momentânea de uma atividade, um estado ou situação”, e é essa sensação que se sente no preciso instante em que se toma contato com a pintura de Manuel Alvarez.

A quietude produto de uma ordem pensada e às vezes caótica igual como acontece no cosmo.  

Há anos que Manuel Alvarez trabalha em silêncio e ao mesmo tempo de uma forma rigorosa, com uma linguagem de caráter sublime que é a geometria. Nada é casual, tudo está aritmeticamente calculado, filosoficamente pensado o que constitui etapas irrefutáveis de seu processo criativo e uma introspecção profundamente ligada a ação.

Desde 1952 se converteu em pintor abstrato, viveu em Paris entre 1954 e 1956 onde teve contato com Pettoruti e se consolidou com as idéias do matemático romano Matila Ghyka (1881-1965), autor de exaustivos estudos da seção áurea e que influenciou muitos artistas concretistas argentinos.

Em 1955 funda a Associação Arte Nova onde coincide com Arden Quin, Blaszko, Tomasello, Vardánega e Villalba. Pettoruti descreve assim a pintura de Alvarez: “exatamente igual a ele, calada, limpa, clara, pensada, trabalhada… que não faz ruído… feita com amor de fogo e nível elevado”.

Em contraposição com o efêmero, anedótico e a fugacidade de muitos tratos da arte de nosso tempo, reencontrar-se com trabalhos que apostam na eternidade é um verdadeiro descobrimento e uma profunda satisfação. Também em tempos de poluição visual, de sobredimencionamento de produtos artísticos, suas estruturas geométricas regidas pelo número, pelo ritmo, pela proporção, convidam também a entrar em harmonia com a silenciosa conversação que estabelecem as formas severas e as cores que exaltam uma perfeição obtida com rigor e ofício depurado.  

À luz da leitura de Santo Agostinho se interessou pelo tempo e a relação espaço-tempo. Bergson propunha um tempo e uma organização em movimento que chamava durée. O tempo agostiniano e o tempo bergsoniano são os conceitos que segue trabalhando.

Alvarez nos convida a uma reflexão em cada uma de suas obras, desde a série dos anos 60 das cidades até as mais recentes onde se pode perceber o homem sábio, o pensador e o filósofo. Sua geometria é resultado de sua paz metal ainda que a contemplação demorada seja é difícil nestes tempos tão vertiginosos, a obra nos transporta a certos estados onde só é necessário quietude e calma.

Esse amor pela arte, pela vida, pelo pensamento e filosofia e uma serena espiritualidade é o que se desfruta ao encontrar-se com a obra de Manuel Alvarez.



Curadoria : Ubaldo Kramer







El Camino de la Ciudad
Óleo sobre tela
1965 - 130 x 110 cm
 
El Maestro
Acrílica sobre tela
1972, 120 x 90 cm
 
El Primero II
Acrílica sobre tela
2006, 120 x 90 cm
 
El Tiempo
Acrílica sobre tela
1977, 30x80 cm
cada tela
 
Equilibrio en Azul
Acrílica sobre tela
2007 - 120 x 90 cm
 
La Extrema Derecha
Acrílica sobre tela
2007 - 120 x 90cm
 
La Serie de Las Malvinas
Sepulturas com Jardim
em Primavera
Acrílica sobre tela
1982 - 160x 110 cm
 
Acrílica sobre tela
tríptico 
1989 
20 x 65 cm cada 
 
Acrílica sobre tela
tríptico
1989
120 x 65 cm cada
 
Acrílica sobre tela
tríptico
1989
120 x 65 cm cada 
 
Acrílica sobre tela
2006
120 x 90 cm
 
Acrílica sobre tela
1985
55 x 184 cm   
 
Paisaje
Acrílica sobre tela
1995, 65 x 165 cm
 
Óleo e folha de
ouro sobre madeira
1957
49 x 107 cm (díptico)
 
Secuencia del Tiempo IV
Acrílica sobre tela
1978, 60 x 60 cm (cada)
total 120 x 120 cm
 
Paris
Óleo sobre tela
1965
135 x 135 cm
 
Los Unos para
los Otros
Acrílica sobre tela
1973 - 80 x 130 cm
 
Los Unos para
Los Otros
Acrílica sobre tela
1973 - 26 x 49 cm
 
El Tunel
Acrílica sobre tela
2007
90 x 120 cm
 
Estudio para Una Abertura
Acrílica sobre tela
1995 - 80 x 200 cm
diptico (80 x 100 cm cada)
 
Sem título
Óleo sobre tela
1954
54 x 38 cm
 
Sem Título
Acrílica sobre tela
2007
90 x 120 cm 
 

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